Filosofia

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A história por trás de Ubuntu.

Tudo começou há 12 anos, na Av. Rio Branco, centro de São Paulo. Meus pais, líderes religiosos, missionários, foram cumprir missão em uma comunidade africana bem no centro de São Paulo. Ali, na comunidade, haviam ingleses, franceses, nigerianos, portugueses e até americanos. Todos tinham algo em comum: eram afro-descendentes e africanos. Eles andavam pelo centro de São Paulo, durante todo o dia, muito bem vestidos, com correntes de pura prata e ouro. Contando histórias de cair o queixo. A maioria, contava suas histórias como príncipes em suas tribos. “I’m prince!”. O que não conseguia entender, era como esses príncipes poderiam ser príncipes e viver no centro de São Paulo, e não em seus palácios, ou qualquer coisa do tipo. Isso, no auge dos meus 13 anos, quando o mundo ainda era uma possibilidade de tornar-se um conto de fadas. Mas a explicação veio mais adiante, quando fui amadurecendo e compreendendo a sociedade como ela é. Eles estavam no Brasil, buscando refúgio. Para eles, passar noites e noites perambulando pelas avenidas paulistanas, buscando comida, e vagas em abrigos, era -de longe- a melhor vida que já haviam experimentado.

Todos eles, contavam histórias mirabolantes, sobre como foi ficarem dias e dias presos dentro de um navio. Suas histórias eram cheias de aventuras, exageros, mas muito–muito-muito sofrimento. As mulheres, escravizadas, inferiorizadas, violentadas. Em sua maioria, quase não falavam. Elas só sabiam cumprir ordens e seguir a trama. As crianças, marcadas pela violência. Para elas, isso era apenas a condição de ser uma criança preta e africana. Sim, pretas. Foi ali que tive a consciência do quanto chamá-los de “Negros”, poderia ser ofensivo.

Através dessa comunidade, tivemos contato profundo e real, com diversas tribos africanas. Eram costumes distintos, dialetos variados, e histórias surreais.

Minha família e eu, fomos passar uns dias na casa do reverendo responsável pela comunidade. E foi bem ali que ouvi a palavra UBUNTU pela primeira vez.

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Do significado, de acordo com o Wikipédia:

Ubuntu é uma ética ou ideologia de África (de toda a África, em particular a palavra é de origem Bantu. É uma filosofia Africana que existe em vários países de África) que foca nas alianças e relacionamento das pessoas umas com as outras. A palavra vem das línguas dos povos Banto; na África do Sul nas línguas Zulu e Xhosa. Ubuntu é tido como um conceito tradicional africano.

Uma tentativa de tradução para a Língua Portuguesa poderia ser “humanidade para com os outros”. Uma outra tradução poderia ser “a crença no compartilhamento que conecta toda a humanidade”.

Uma tentativa de definição mais longa foi feita pelo Arcebispo Desmond Tutu:

Uma pessoa com ubuntu está aberta e disponível aos outros, não-preocupada em julgar os outros como bons ou maus, e tem consciência de que faz parte de algo maior e que é tão diminuída quanto seus semelhantes que são diminuídos ou humilhados, torturados ou oprimidos.

Africa+Childrens+Choir


Da raiz, de acordo com um africano:

Ubuntu é como um espírito. Não sabe-se ao certo qual sua origem. Mas Ubuntu está lá, e sempre esteve desde os tempos imemoriais. Uma pessoa com espírito Ubuntu, tem plena consciência de que é diretamente afetada, quando um dos seus, está sendo afetado pela sociedade ou pelas circunstâncias da vida. Uma pessoa com Ubuntu, sabe que “eu sou porque nós somos”, e que não existe nada mais forte do que nós. O que se tem certeza, é que essa filosofia africana, articula basicamente o fundamento de que o respeito deve fazer parte de todas as nossas relações. E que respeito não é apenas dizer “ok, respeito”, mas colocarmo-nos no lugar do outro, de maneira genuína, sentirmos em nossa pele o que é enxergarmo-nos no outro, e enxergamos o outro em nós. Isso inclui o absoluto respeito pela religiosidade, individualidade, personalidade e particularidades dos outros. Ubuntu é acordo, é consenso. Ubunto é consciência unificada e pluralizada.

O vídeo abaixo, é bastante conscientizador e esclarecedor:

Ubuntu na Pocket:

Eu sou porque nós somos. Eis uma das verdades a respeito de nossa agência. A Pocket só existe, porque somos um coletivo, porque somos plural. Do mesmo modo, com a mesma visão, acreditamos que como criadores de conteúdo, torna-mo-nos muito mais fortes quando trabalhamos em uníssono. Acreditamos que nossa força é multiplicada, quando unimos nossas habilidades e potencialidades. Acreditamos que o individualismo não nos torna fortes por muito tempo. Na verdade, com o tempo, ele tira nossa força. E só nos mostra o quanto somos solitários e frágeis, carecendo uns dos outros. Do mesmo modo, não acreditamos num crescimento genuíno, se não houverem outros eus em nós, e se não houver nós, em outros eus. A Pocket acredita que cada um de vocês, é membro. E cada membro, constitui esse corpo. Esse corpo se movimento pela unidade dos membros. Acreditem em mim: nossa unidade é vitalidade de nossa empresa. E a Pocket nada mais é que, uma personificação de quem realmente somos – sobreviventes, ressurgentes e transcendentes.

Ubuntu!
Eu sou porque nós somos.
Gratidão, gratidão e gratidão!


Informação extra: aqui, há uma matéria genial a respeito da filosofia Ubuntu.

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